Um ano medíocre
Trocando o espetáculo pela plenitude singela
O Fala, Vik! passou por um pequeno hiato de uma semana em virtude daqueles famigerados dias entre o Natal e o Ano Novo. Nas últimas duas semanas, Nicksson e eu percorremos mais de 1700 km de ônibus, passando por 3 estados brasileiros e frequentando 4 rodoviárias diferentes. O cansaço é compensado quando podemos abraçar os queridos familiares e amigos que só podemos ver uma vez a cada semestre. De qualquer forma, estou feliz por estar de volta em casa e aqui no Substack também. Uma boa leitura! ☕
Decidi que quero um 2025 medíocre.
O evangélico brasileiro, pelo menos em discurso, tem anseio por grandes coisas. Grandes revelações, grandes conquistas e grandes pregações. Parece que tudo tem que ser extravagante. Vale tudo, desde fotografar apenas a fileira cheia da igreja a filmar aquele adorador em lágrimas. E isso não acontece apenas no ambiente religioso. No mundo político, por exemplo, adoramos populistas e detestamos políticos sérios, mas que não falam de maneira empolgante.
Queremos sentir fortes emoções. Não vale mais a pena ser um bom aluno - precisamos ser o melhor da sala. Uma viagem não vale a pena se ela foi apenas boa - ela precisa ser incrível! Um filme precisa fazer chorar. Uma música tem que te deixar em êxtase. A gente fica tão acostumado com isso que pensamos que há algo de errado com nossa vida cotidiana, que parece muito chata e sem graça. (Aliás, alguém já leu o livro Nação Dopamina? Quero muito lê-lo). O marketing das redes sociais alimenta essa forma de pensar: os vídeos precisam ser cada vez mais curtos e mais impactantes. O copywriting precisa chocar logo na primeira frase (como a que eu escrevi nesse texto).
Para nossa tristeza, a Bíblia é radicalmente diferente.
Algumas das imagens utilizadas por Jesus para falar sobre o Evangelho eram cotidianas e terrivelmente tediosas. O Reino de Deus começa como uma semente pequena ou mulher fazendo pão com um pouquinho de fermento (Mt 13). O amor de Deus é como uma mulher varrendo a casa para procurar uma moeda (Lc 15:8-10). Seu Pai era como um agricultor (Jo 15).
A respeito da oração, Jesus era ainda pior. Ele ensinou os discípulos a orarem secretamente, diferente dos hipócritas, que oravam para serem vistos (Mt 6:5). Além disso, criticou os pagãos por pensarem que seriam ouvidos por fazer longas orações (Mt 6:7).
Em lugar da extravagância por espetáculo dos redes, a Bíblia nos ensina a plenitude do amor: amar a Deus com tudo que temos e somos, e amar ao próximo como a nós mesmos. Para o jovem rico, sim, isso significava vender tudo que tinha para seguir a Jesus, algo realmente extravagante (Lc 18). Mas para outras pessoas, amar a Deus significava trabalhar tranquilamente (2 Ts 3:12) para ajudar quem precisasse (Ef 4:18).
Viver em plenitude pode significar começar uma rotina de curtas orações diárias quando você ainda não tem o hábito de orar. Pode significar gastar aquele tempo para ouvir as tristezas de um amigo. Pode significar fazer o seu trabalho profissional bem-feito, todos os dias, sem grandes afobações. Pode significar trocar a fralda do bebê que Deus confiou à sua família. A plenitude pode parecer realmente medíocre na época do seja sua melhor versão.
Nesse ano, ouse ser um pouco medíocre. Mantenha-se diariamente fiel a Deus, praticando a leitura da Palavra e a oração, ainda que não seja uma oração de três horas com visões celestiais. Exercite-se algumas vezes na semana, ainda que sua carga na academia seja risível como a minha. Aproveite cada xícara de café, ainda que não seja um café de cocô de jacu (que vale mais de mil reais o kg). Desfrute desse cotidiano no qual Deus permite seu coração continue batendo ao lado dos seus queridos. Sonhe, mas sonhe confiando em Deus mesmo naquelas tarefas que parecem cotidianas.
SENHOR, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes.
Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim.
De fato, acalmei e tranqüilizei a minha alma.
Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe;
a minha alma é como essa criança. (Sl 131.1–2)
Seleções 💬
📖 Dei a largada às ficções cristãs de férias e estou lendo As Andorinhas de um continente em chamas, da autora Gabriela Fernandes. Um prato cheio especialmente (mas não apenas) para as mulheres que gostam do estilo de Star Trek e Star Wars.
🎠 Meu amigo Luiz Henrique está fazendo carrosséis muito interessantes sobre a busca pelo Jesus Histórico. Confira aqui a parte 1 e a parte 2.
🎌 Decidi dar uma chance ao anime Oshi no Ko, um dos animes mais populares 2024. (Pra quem não sabe, tenho uma alma que é parte otaku). O começo da história é bem bizarro, mas a crítica à indústria do entretenimento é um prato cheio. Pode ser visto na Netflix. Recomendo a cristãos maduros.
Para refletir: “Não seja excessivamente justo nem demasiadamente sábio; por que destruir-se a si mesmo?” (Ec 7:16).



Vim pelo insta, mas acho q vou fincar minhas tendas aqui, kkkkk. Glória Deus pela sua vida vik, muito obrigado por esse texto, saiba, que realmente impactou minha vida, focada muito nas aparências, mas que o Senhor, por meio deste maravilhoso texto, relembra-me que o evangelho acontece no íntimo. Continue vik😁
Amém. Esse tbm é o meu desejo. Quero ser constante ainda que no pouco.